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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Viajo porque também preciso

Cissa de Oliveira


Adeus Beto Sicupira, seja lá você quem for, de verdade. O nosso amor unilateral foi mesmo muito chato, já que a gente nem sequer nunca se soube.

... depois, agora tem o Karim Aïnous, escrito assim mesmo, com uma grafia entre o Árabe e o Francês, mas que no fundo é um conterrâneo meu, lá pras bandas do Ceará, e que mora por aí, sabe-se lá onde. Ele não tem olhos cor de bila, não, feito os seus, na fotografia da revista. Aliás, tchau, Beto!

A dama da noite está perfumada daquele cheiro doce e difícil de esquecer. É como música que “gruda feito chiclete, o que é um jeito de grudar o filme nas pessoas”. Palavras de Karim Aïnous”, provavelmente falando em trilha sonora. O calor continua matando, direta e indiretamente, sabe como é, com as chuvas, infelizmente. Assim, com tanta catástrofe, não há poesia que resista, nem fé.

Eu continuo gostando de doce de leite – menos efêmero do que o Beto –, herege na compreensão dos santos terrenos - ou seria correto escrever “terráquios”? -, com mil coisas por terminar, outras mil por começar, e cada vez menos disponível para a morte, digo da grande morte. Mas o que eu queria falar mesmo é das bochechas do Karim. Ô meu deusin... e do olhar tão longe, tão perto, de perdido em algum ponto que se guarda em si mesmo.

“Viajo porque preciso, volto porque te amo”. - Beleeeeza, como dizem os alunos; não deixarei de assistir a essa carta de amor nunca enviada, na verdade um filme de Karim Aïnous. Segundo o próprio, assim diz o jornal, uma grande brincadeira. Então viva a brincadeira, as viagens reais, também as imaginárias, e o afastamento entre as pessoas, garantia de encantamento, mesmo que unilateral. A maior prova disso é que o Beto continua lá – na fotografia -, sorrindo, como se não tivesse levado um pé na bunda, e o Karim, insondável, tão insondável que, pudesse, eu perguntava: - Que foi “Cabra véi”? Tu passou gelol demais, foi?

Eu estou com raiva. A culpa não é do Karim, nem minha, nem de ninguém (aqui se inclui o Sicupira). Eu sei, isso está parecendo o samba do crioulo doido, e então talvez seja a hora de prometer a mim mesma me redimir até do que eu não fiz, por mais que em tempo algum vá usar o cabelo cortado “bem batidinho” como dizia a minha tia, nem fazer apenas o que é útil, prático e esperado. Viajar é preciso.

E antes que me esqueça, uma careta bem feia para os maldosos, esses feios de alma.

Cissa de Oliveira


Um comentário:

  1. SI SEU TRABALHO É MAGNÍFICO VOCÊ UM TOQUE TODO ESPECIAL E ÚNICO NA FORMA DE ESCREVER.
    PARABÉNS
    SUA IRMÃ
    CIDINHA

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