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domingo, 22 de dezembro de 2013

Soneto da Despedida ( Castelo Hanssen )


Soneto da Despedida

De tudo nesta vida, eu desatento,
e sentindo chegar o fim da linha,
parodiando o grande poetinha,
quero me despedir sem um lamento.

Eu, que passei em vão cada momento,
Desperdiçando riso. Dor e pranto,
Sorrindo aberto e soluçando ao canto
Deixo somente meu contentamento

Por todos os momentos que já tive,
Ingredientes doces da poesia,
Quero saudar na minha despedida

A alegoria que se chama vida,
A vida que gastei quanto podia
E a morte, destino de quem vive.

Castelo Hanssen

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Complicado ( Castelo Hanssen )





Complicado ( Castelo Hanssen )

Eu também fico assim de vez em quando,
Quero fugir, mas eu não sei de quem,
Quero partir, quero pegar o trem,
Quero ficar em casa, só esperando

Quero voar, quero ganhar altura,
Quero ficar em um canto, escondido,
Se penso que me encontrei estou perdido,
Fico invisível se alguém me procura.

Não sei se sou adulto ou sou menino,
Não sei se sou maluco ou sou pateta,
Não sei se sou bondoso ou sou ruim

Não sei qual é no mundo o meu destino,
Não sei se sou assim por ser poeta,
Ou se poeta sou por ser assim.

Aristides Castelo Hanssen (São Paulo, 3 de setembro de 1941) é um jornalista brasileiro.

É fundador do Colégio Brasileiro de Poetas de Mauá, do grupo Literário Letraviva de Guarulhos e da Academia Guarulhense de Letras. É presidente honorário da Sociedade Guarulhense de Cultura Artística.

Iniciou a carreira escrevendo crônicas para os semanários A Ação e Tribuna Popular de Santo André. Iniciou o trabalho profissional como repórter na Folha Metropolitana (Santo André), transferindo-se depois, para a Folha Metropolitana de Guarulhos, onde foi editor de política, assinou a coluna No Mundo da Música Sertaneja, e coordenou o suplemento Folha Literária.

De 1984 a 2001 trabalhou no jornal Olho Vivo de Guarulhos. Aposentou-se por deficiência visual. Continuou como colaborador até 2004, com artigos semanais, abordando temas do momento de forma poética e bem humorada. Em 2007 voltou a escrever artigos semanais para o Diário de Guarulhos, marca que o Olho Vivo adotou em 2006.

Atualmente escreve crônicas para a Folha Metropolitana, de Guarulhos, e participa de vários movimentos culturais da cidade, principalmente na Casa dos Cordéis, espaço criado por Bosco Maciel.

Em 1997 recebeu o troféu Paulo Francis, outorgado pela Tribuna de Guarulhos.

Foi presidente da Academia Guarulhense de Letras de 2008 a 2010, entidade que ajudou a fundar em 8 de dezembro de 1978, junto com Gasparino José Romãon>, Laerte Romualdo de Souza, Ary Baddini Tavares, Milton Luiz Ziller, Adolfo Vasconcelos Noronha, Norlandio Meirelles de Almeida, João Ranali, Flavio Cleto Giovanni Trombetti, Oscar Gonçalves, Hildebrando de Arruda Cotrim, Onofre Leite, Silvio Ourique Fragoso, Geraldo Penteado de Queiroz e Néfi Tales.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Rio Acima - Castelo Hanssen





Rio acima ( Castelo Hanssen )

Navegando rio acima
Num barquinho de papel,
numa aventura cruel
Cuja loucura me anima,
Eu vou atrás de uma rima
Que rime com tudo, enfim,
Que existe dentro de mim
E nunca será olvidado,
Eu vou atrás do passado,
Da nascente de onde eu vim.

Como um novo bandeirante,
De costas para o oceano,
Eu vou seguindo o meu plano,
Meu viver itinerante.
E nesse buscar constante,
hei de ser um curumim,
um molequinho levado
que hei de encontrar no passado,
na nascente de onde eu vim.

Cansado da modernagem,
Quero voltar às origens
Para fugir da vertigem,
Para fugir da miragem.
E nessa louca viagem
Eu quero fugir, assim,
De um presente tão ruim,
De tanto sonho frustrado.
Quero voltar ao passado,
À nascente de onde eu vim

Nessa viagem de volta
Quero rever a paisagem
Que vi na outra passagem.
Paisagens talvez já mortas,
Escritas por linhas tortas
Num rascunho de nanquim.
Começando pelo fim
No meu errar acertado,
Eu vou atrás do passado,
da nascente de onde eu vim.

Nas margens da minha vida
Vi tantas flores se abrindo,
A natureza sorrindo.
Paisagem hoje esquecida,
Que muita gente duvida
Até da cor do jasmim,
Do perfume do alecrim
E dos campos orvalhados.
E eu vou atrás do passado,
Da nascente de onde eu vim.

E mesmo assim, com coragem,
Vou levando o meu barquinho,
Pois aprendi a ser sozinho
E nem olhar para a margem.
Quando sentir as paragens
Que pairam dentro de mim
Eu terei chegado, enfim,
Ao meu país encantado,
Terei chegado ao passado,
À nascente de onde eu vim.