Pesquisar este blog

sexta-feira, 25 de novembro de 2011


Um conto de Natal


Cibele tinha certeza de que um dia aquele bom velhinho de barbas brancas iria visitá-la, e quando este dia chegasse, seria seu dia mais feliz.
Já sua mãe havia perdido o encanto e a magia daquela data tão especial, procurava não acreditar mais em nada e tampouco se importar com o que as pessoas diziam sobre aquela data. Muitas vezes ela chegou a duvidar da bondade de cada um e até onde tudo aquilo era verdade, pois sentia no ar uma alegria e uma cordialidade muitas vezes até fora do normal. Ela notava que durante aquele período as pessoas procuravam não fazer diferença entre umas e outras e todos eram respeitados e tratados de igual pra igual. As pessoas pareciam se sentirem tocadas pela dura realidade que encontravam nas ruas, se sensibilizavam com as crianças que não tinham um lar, com os pais desempregados e também com as famílias que muitas vezes não tinham nem o que comer. Havia uma certa compaixão, e as pessoas realmente procuravam se colocar no lugar uma das outras. “Aquela data deveria ser vivida todos os dias e não somente uma vez ao ano” – pensava a mãe enquanto se dirigia para aquele hospital. Quando lá chegou, Cibele estava dormindo, e sobre a mesinha havia um bilhete, sim era uma cartinha que a pobre menina escrevera para o seu velho amigo.
A mãe tentou ser forte e não chorar, pois sabia que naquela noite, muitas famílias receberiam a visita do bom velhinho, mas para sua filha era quase impossível que seu sonho se tornasse realidade.
Silenciosamente a mãe se sentou na poltrona ao lado da pequena Cibele e orou, pediu para que uma graça fosse alcançada, e que aquela febre baixasse para que a menina pudesse voltar para casa e brincar com os irmãos mais novos, ficou ali em oração não se sabe quanto tempo.
Foi quando um clarão se formou dentro quarto e de repente ela ouviu um sino anunciando que era meia noite. Cibele acordou ao som de gargalhadas que se espalhavam pelo quarto, era o seu tão esperado velho amigo que a saudava com um doce beijo. Ela não sabia se chorava ou se sorria, e com a voz emocionada disse ao bom velhinho:
- Finalmente você apareceu, eu sabia que você viria nesta noite!
Os dois brincaram e conversaram a noite inteira, ele fez questão de lhe contar histórias e de lhe agradar com doces e balas.
A mãe assistia a tudo, comovida demais para dizer qualquer palavra, simplesmente o abraçou e agradeceu pela noite maravilhosa. E como há muito tempo não acontecia, se sentiu envolvida pelo espírito natalino, sabia que a sua filha naquele momento fora abençoada e que Deus tinha ouvido suas preces.
De repente ela acordou sobressaltada com o barulho da porta se abrindo, já era de manhã e a filha também acordou, estava mais corada do que na noite anterior, quando ela olhou para o lado, viu que tinha um sino em cima da mesinha e misteriosamente a carta havia desaparecido. Foi então que o médico do plantão avisou que a pequena Cibele estava de alta.
As duas foram embora felizes, a menina contou para mãe o sonho que tivera e jurava que o Papai Noel havia lhe visitado. A mãe ouviu tudo em silêncio e guardou consigo o sonho que também tivera. Descobriu naquele momento o motivo daquela data ser um dia tão especial, era simplesmente a magia e a esperança de um mundo melhor, e a mensagem que ficou gravada em seu coração foi de que nunca se deve desistir de um sonho, por mais impossível que possa parecer, pois sonhar é viver!

Mora Alves - 12/2011
www.moraalves.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário